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Artigo: Não é mimimi. É racismo mesmo.

Com o tema “Rumo aos 40 anos de empoderamento de negras e negros – Lélia é nossa!”, o MNU realiza seu 40º Congresso.
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Por Marcos Aurélio Ruy

Muita gente ainda questiona o Dia Nacional da Consciência Negra, desconhecendo a história do Brasil e negando as conseqüências nefastas de quase quatro séculos de escravidão no último país do Ocidente a abolir o regime escravista.

Em memória de Zumbi dos Palmares, foi decretado o 20 de novembro como o Dia Nacional de Consciência Negra. Justamente porque nessa data Zumbi foi morto após liderar o mais conhecido e longevo quilombo da história do Brasil: o Quilombo dos Palmares, onde hoje é Alagoas.

Para exterminar o quilombo que durou cerca de 100 anos, a coroa portuguesa utilizou de uma força bélica jamais vista na colônia. A morte de Zumbi, último líder de Palmares, ocorreu em 1695, muito antes da Independência, o que mostra que a resistência ao escravismo se fez gigante e permanente e de diversas formas.

Neste ano, lembra-se também dos 130 anos da Abolição dos escravos, que para os seres humanos escravizados não representou a libertação plena, porque os escravizados foram abandonados à própria sorte, sem trabalho, sem terra, sem nada.

Não à toa, em recente visita ao Brasil, o norte-americano Noam Chomsky, um dos principais intelectuais da atualidade, percebeu um ódio de classe no Brasil maior do que nos Estados Unidos.

Aqui a gritaria é geral contra as cotas raciais nas universidades. Imaginem se houvesse no mercado de trabalho. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os negros ganham por volta de 30% a menos que os brancos. As mulheres negras não atingem a metade dos salários dos homens brancos.

A face mais perversa do racismo, porém, está nos dados do Atlas da Violência 2018, organizado em parceria entre o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Foram 30,3 mortes por 100 mil habitantes em 2016.

O estudo aponta que a taxa de homicídios de negros foi duas vezes e meia superior à de não negros. Foram 42 negros assassinados por 100 mil habitantes e 16 não negros somente no ano de 2016.

Pior ainda para a juventude negra, pobre da periferia. Entre os mais de 60 mil crimes fatais de 2016, 33.590 jovens de pessoas entre 15 e 29 anos, sendo 94,6% do sexo masculino.

Além dessa violência superior à de muitas guerras, a população negra enfrenta um racismo institucionalizado que exclui a maioria das brasileiras e brasileiros, constituída de pardos e negros (54%, de acordo com o IBGE).

Com a vitória de Jair Bolsonaro para a Presidência da República neste ano, as políticas de cunho social perdem terreno e entra em cena a voracidade do capital, sem nenhum pudor em destruir o meio ambiente e vidas humanas.

Basta notar a sua atitude em relação ao programa Mais Médicos e aos profissionais cubanos. Com apoio de parte da população o presidente eleito prejudica milhões de brasileiros sem nenhuma preocupação com a saúde. Por todos esses acontecimentos confirma-se que não há mimimi, o que há é racismo mesmo.

E assim caminha a nação brasileira envolta em preconceito, ódio e violência, tudo em nome de Deus, mas não qualquer Deus, o Deus deles somente. Como canta Chico Buarque lindamente em sua canção As Caravanas: “Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria”… Mas a culpa deve ser do sol.

Comentários (3)

  1. Já fiz três não consigo enviar. Mas fui criada por uma negra quilombola que me fez amar a cultura negra. Já escrevi sobre ela. Era altiva e acolhedora. Tenho muita história. Queria ajudar mas não sei como.

  2. Fiz um comentário muito bom que sumiu. Resumindo fui criada por uma negra que nasceu no quilombo do Bento, em Itaberaba. Já escrevi sobre ela mas ninguém quis publicar. Tenho inúmeras histórias que ela me contou. Era altiva e usava lindos turbantes. Quero ajudar mas não sei como.

  3. Sei da importância dos negros na História a e na cultura do país. Estou disposta a ajudar. Meu primeiro trabalho acadêmico foi sobre sincretismo. Pouco se deu valor a ele que continua inédito. Nem a UFMG quis publicar. Adoro a palavra,os contos, a poesia é a arte negra . Tenho cabedal para ajudar. Tive uma babá negra, nascida em quilombo, Bento em Itaberaba que para mim uma mãe maravilhosa... Falava em yurubá. Gostaria tanto de falar dela, de seu acolhimento e de sua altivez.

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