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Colégio Santo Agostinho discrimina professores brasileiros de inglês

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O Sinpro Minas repudia a postura do Colégio Santo Agostinho que, no último mês, divulgou a contratação de professores/as de língua inglesa, que obrigatoriamente sejam nativos de países onde o inglês seja a língua oficial.

A própria divulgação da vaga já evidencia a visão equivocada com relação às nacionalidades e territórios. “Ser canadense, americano ou nativo de um país e língua oficial inglesa”. Limitar a América aos Estados Unidos já é uma visão distorcida, já que estamos nos referindo a um continente do qual todos/as nós, latinos e latinas, também fazemos parte.

Os parâmetros impostos pela instituição seguem os acordos de parceria com uma empresa de educação canadense. O programa chamado “High School” pressupõe que professores/ nativos da língua inglesa só precisam de bacharelado em educação e uma certificação, anulando o critério, inclusive, de diploma reconhecido pelo MEC.

Para Valéria Morato, presidenta do Sinpro Minas, é contraditório e desrespeitoso que uma instituição brasileira, que atua no Brasil, tenha essa postura. “A exclusão já começa quando o anúncio da vaga é feito somente em língua inglesa. E estamos falando de uma instituição católica, que defende valores de inclusão, mas que, na prática, acaba agindo de maneira preconceituosa. Afinal, por que um/a brasileiro/a (ou qualquer profissional de outra nacionalidade) não pode ter pleno domínio das línguas “dominantes”, como o inglês?”, questiona.

O Sinpro Minas compreende que essa é uma postura que reafirma toda uma lógica colonizadora e excludente, que marca a história do Brasil há séculos. A educação, que deveria ser um campo de reconstrução e valorização das nossas diversas identidades, em uma lógica mercadológica, só reforça essa visão opressora. Para além disso, esse tipo de contratação segregadora desvaloriza o profissionalismo de professores/as brasileiros/as da área de Letras, que se dedicam a uma formação acadêmica para ocuparem este lugar e têm tanta competência (ou mais) quanto qualquer profissional de outra nacionalidade.

Comentários (2)

  1. Ana disse em

    Em resposta ao comentário anterior, a discriminação viria da instituição estrangeira, o que reforça o colonialismo mencionado na nota de repúdio. Nesse caso, a escola poderia optar por não compactuar. Há programas de high school canadenses com professores brasileiros no Brasil...

  2. O programa High School Canada é uma parceria com o governo canadense. Ou seja, a província do Canadá com que o colégio tem parceria que dita as normas de como o programa deve ser tocado. Assim, para que a parceria continue e os alunos consigam diploma canadense, é preciso aplicar as medidas que tal província acha necessária. Dentre as regras está a de professores canadenses e/ou estadounidenses. No entanto, elas não se limitam somente a isso. Eles também ditam as matérias e a maneira de conduzir o programa para que ele se assimile ao ensino canadense. Logo, o Santo Agostinho não está praticando discriminação. Inclusive, a maioria dos professores de inglês que não darão aula para o programa High School são brasileiros.

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