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Michelle Bachelet e a promessa de profundas transformações

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Por Enrique Torres

A contundente vitória de Michelle Bachelet no segundo turno das eleições presidenciais no Chile situa o país às portas de profundas transformações sociais, caso seja cumprido o seu programa de governo.

Pouco depois de conhecida a arrasadora vitória na noite do domingo (15), Bachelet reiterou sua vontade de levar adiante as mudanças prometidas, na maioria dos casos emanadas das principais demandas que nos últimos anos os movimentos sociais levaram às ruas.

“Trata-se de um triunfo de envergadura histórica para as forças de esquerda e progressistas em geral”, declarou à Prensa Latina o presidente do partido Esquerda Cidadã, Víctor Osório, cujo agrupamento faz parte do pacto Nova Maioria, pelo qual se candidatou Michelle Bachelet, que já havia governado o país de 2006 a 2010.

De acordo com o jornalista e político, a contundência do triunfo sobre a candidata da Aliança da direita chilena, Evelyn Matthei, e sobretudo o que ela representa, assegura a profundidade das mudanças estruturais que Bachelet e a Nova Maioria se propõem realizar.

Na opinião de Osório, o índice de 62,16 por cento dos votos a favor de Bachelet evidencia que a imensa maioria dos cidadãos que foram às urnas se identifica com as propostas do bloco, que busca edificar um novo país que deixe para trás a intensa desigualdade existente e permita aflorar a igualdade.

O segundo turno do domingo só deu a Matthei 37,83 por cento dos sufrágios, em uma jornada que foi marcada pela abstenção.

Dos pouco mais de 13 milhões e 500 mil cidadãos que compõem o eleitorado, foram votar cinco milhões e 700 mil, ou seja, 47 por cento.

Pouco depois da divulgação da sua vitória, Bachelet reiterou as prioridades do que será seu governo a partir de 11 de março, quando receberá de volta a faixa presidencial que há quatro anos ela mesma entregou ao presidente Sebastián Piñera.

Entre suas propostas, acentuou a vontade de empreender uma profunda reforma educacional e avançar para uma nova Constituição.

Diante de centenas de seguidores que se concentravam do lado de fora do Hotel Plaza San Francisco, na capital, na emblemática Alameda, Bachelet agradeceu às vozes populares das quais emergiram muitos dos seus eixos programáticos, entre eles aos jovens que nas manifestações exigiram mudanças no sistema de ensino.

“Graças aos jovens, manifestaram-se com força as ânsias de construir um sistema educacional público (…) Hoje ninguém duvida de que o lucro não pode ser o motor da educação”, expressou a presidenta eleita .

Bachelet insistiu em que a educação não é uma mercadoria, porque os sonhos não são um bem de mercado. “É um direito de todos e de todas”, exclamou.

Igualmente, ela deu ênfase na batalha que fará para que o país avance para uma nova Constituição, nascida na democracia, em lugar da Carta Magna vigente, estabelecida durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Segundo Bachelet, a nova Constituição deve assegurar mais direitos e garantir que no futuro a maioria nunca mais seja calada pela minoria.

“Uma Constituição que se transforme no passo social novo, moderno e renovado que o Chile demanda e necessita , que seja a base de uma nova relação entre as instituições e a cidadania”, afirmou.

A presidenta eleita , além de ter como aval 62,16 por cento dos votos no segundo turno, tem a seu favor o impulso das forças de centro-esquerda no Congresso, que nas eleições de 17 de novembro último ampliaram suas cadeiras em ambas as casas do Poder Legislativo.

Com estes resultados, junto ao retorno de Bachelet ao Palácio La Moneda, de 38 cadeiras no Senado, 21 serão ocupadas por políticos de partidos pertencentes à aliança Nova Maioria e a direita terá 16, e uma cadeira corresponde a um senador independente. Na Câmara dos Deputados, o bloco de Bachelet controlará 64 cadeiras, enquanto a bancada dos partidos que passarão a ser de oposição, ocupará 52, e quatro serão independentes e de outros agrupamentos que poderão inclinar-se para a aliança de apoio à presidenta.

A correlação de forças não permitirá à Nova Maioria empreender ações de maneira automática que impliquem reformas constitucionais, mas através da maioria simples poderá impulsionar várias das propostas da centro-esquerda, como a reforma tributária estipulada no programa de Bachelet.

Na Câmara baixa serão vistas figuras emblemáticas de ex-dirigentes estudantis como Giorgio Jackson, Gabriel Boric, e as comunistas Karol Cariola e Camila Vallejo, que liderou as grandes mobilizações de 2011 em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade.

Cariola e Vallejo são parte da ampliação da bancada do Partido Comunista na eleição de 17 de novembro, quando conseguiu elevar de três para seis o número de deputados.

A Nova Maioria é integrada pelos partidos Socialista, Comunista, Pela Democracia, Radical Social-democrata, Democracia Cristã, Movimento Amplo Social e Esquerda Cidadã, assim como por algumas forças independentes.

Fonte: Prensa LatinaTradução da redação do Vermelho

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