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Sinpro Minas promove debate sobre Educação em Poços de Caldas

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No último sábado (3/12), foi realizado um debate na Câmara Municipal de Poços de Caldas para tratar do Plano Nacional da Educação (PNE). Entre os expositores, estava o professor Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Minas Gerais (CTB/MG). A professora Rosimar Prado, do SindUTE/MG e o professor de Filosofia do Direito, Aristides Ribas, foram os outros palestrantes do evento.

 

Apesar da importância do assunto a baixa frequência do público e a ausência de representantes do Legislativo e do Executivo foi percebida. O objetivo do encontro foi de unificar os trabalhadores da educação em torno das bandeiras do PNE e da luta por um Sistema Nacional Articulado. Ao final, houve um debate e levantamento de propostas de ações na luta por uma educação de qualidade.

 

O professor Yuri Almeida, que toma posse em janeiro no Sinpro de Poços de Caldas, diz que este foi o primeiro de muitos eventos que acontecerão. A atividade é uma promoção conjunta do Sinpro Minas com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Sindicato dos Auxiliares em Administração Escolar (SAAEMG), Sindicato dos Servidores Públicos de Poços de Caldas (Sindserv) e o Pré-vestibular comunitário Educafro.

 

O Pensa Poços ouviu o professor Gilson Reis.

 

Confira a seguir a entrevista:

 

Pensa Poços – O problema da educação hoje é privilégio só de Minas Gerais ou você está vendo este problema permear o Brasil como um todo?

 

Gilson Reis: Nós vivemos um desafio no Brasil de recolocar a educação como prioridade e colocá-la em outro patamar. Penso que o problema da educação no Brasil é um problema em todos os lugares. Envolve desde a estrutura da escola, o projeto pedagógico, o investimento na educação, valorização dos profissionais, até passando por um projeto mais estratégico do que representaria a educação neste contexto histórico que nós estamos vivendo.

 

Gilson Reis: “Não é simplesmente a educação formal; É a educação como elemento estruturante da economia brasileira, do desenvolvimento nacional e da perspectiva da retomada de um outro projeto de Nação.”

 

O Plano Nacional da Educação tem um corte histórico no sentido de discutir e debater que a educação deva ocupar um espaço privilegiado na sociedade brasileira para construir as condições estruturais, as condições de formação da sociedade brasileira para que a gente possa dar um salto de qualidade que o Brasil tem que apresentar.

 

O Brasil pode se transformar na quarta, quinta maior nação do mundo. Para podermos superar nossa condição nós precisaríamos ter um investimento maciço em educação, como fizeram Japão, Coréia, os países europeus, a China. Além do investimento tem o projeto pedagógico, o projeto estruturante da educação para que a gente possa então, nestas duas a três décadas, colocar nosso país em outras condições.

 

Este é o tema: Não é simplesmente a educação formal; É a educação como elemento estruturante da economia brasileira, do desenvolvimento nacional e da perspectiva da retomada de um outro projeto de Nação.

 

PP: Quando você fala em educação formal, onde que você quer chegar com isso?

 

Gilson: É o ensino básico, por exemplo, é um direito das pessoas terem acesso à educação infantil, fundamental e médio, acesso a ensino superior… O Brasil ainda tem um nível muito baixo ainda de acesso ao ensino superior. Só para a gente ter uma ideia, a China agora tem duzentas e cinqüenta milhões de pessoas no ensino superior, então isso é mais do que a população do Brasil. Um país desses que vai retomando o processo histórico de crescimentos é porque desenvolvem uma educação de qualidade e um projeto estratégico para o país. Essa é uma questão fundamental para nossa nação brasileira.

 

PP: A medição de forças entre prefeito, governador e governo federal afeta a educação. Você acha que resolve com protesto, com política ou a gente precisa de fato de dinheiro?

 

Gilson: A proposta do PNE ela é Sistema Nacional de Educação Articulada, é um sistema onde o prefeito, o governador e o presidente da república, os três entes federados, eles assumam suas responsabilidades, tanto na questão do investimento, da estrutura e das condições gerais de educação. E ele é articulado porque ele pega o setor público e setor privado num único projeto estruturante para a educação do país.

 

A proposta inicial que aprovamos na Conferência Nacional de Educação tem esse conteúdo, de deixar de ser educações fragmentadas, separadas, o projeto pedagógico do município, estado e União, se transformar num único projeto nacional. Isso é o elemento central do Plano Nacional de Educação, de criar sinergia, criar um processo onde que todos tenham responsabilidade, tanto público como privado, e de ter um objeto de ter uma formação superior em nosso país, uma formação de qualidade. A responsabilidade não pode ser do prefeito, nem vereador, nem governador… Tem que ser da sociedade e é lógico, responsabilizando também estes entes federados. E como você disse, o principal de todos, é a questão do investimento. Nós não podemos pensar na educação de qualidade se não tiver dinheiro, não tiver financiamento para poder estruturar esta educação nessa qualidade que precisamos fazer para o nosso país.

 

PP: Estas discussões vocês estão promovendo somente em Poços de Caldas ou estão fazendo também em outras cidades?

 

Gilson: Nós estamos realizando este debate no Estado todo, fizemos dezenas de discussões, temos um movimento que chama PNE pra valer, é um movimento nacional que levamos o debate para todo o país porque há um ano este projeto está na Câmara Federal e não avança, foi constituída uma Comissão que não apresentou o relatório nem levou em consideração inclusive as decisões da Conferência Nacional de Educação, então nós achamos que a sociedade brasileira precisa se mobilizar no sentido de discutir o Plano e colocá-lo em evidência em todo o país, e o mais grave é que hoje nós estamos sentindo que o setor privado de educação quer se apoderar desta discussão para poder abocanhar parte da fatia do dinheiro público para poder financiar a educação privada, além de não ter um debate aprofundado com a sociedade, há setores que, de forma esperta, utilizam o processo para poder transferir recursos públicos para a iniciativa privada. Além de se caminhar para não resolver o problema da educação, pode ser que se consiga piorar a educação no país.

 

Fonte: www.pensapocos.com

 

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