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gravidez

Reprodução da história de vida das mulheres

Encerrando a reflexão sobre gravidez na adolescência, feita a partir da pequisa na comunidade do Bode, em Recife(PE), a antropóloga Verónique Durand fala sobre a forma de reprodução da história de vida das meninas, principalmente em relação à idade da primeira gravidez, entre 13 e 16 anos.

E ela ressalta que vários conceitos são aprendidos de forma diferentes de acordo com as classes sociais. Não dá pra comparar a vida de um jovem de classe média - que tem sua adolescência prolongada, até aos 25 anos, porque estuda e fica na dependência dos pais – com um adolescente que deixa a escola cedo para ajudar financeiramente em sua casa.

Assim, a sexualidade também é vivida de forma diferente em função dos centros de interesse: estudar, trabalhar, projetos para o futuro, sonhos etc. Para cada grupo social existe uma normalidade, códigos e valores. Engravidar aos 15 ou aos 35 tem tudo a ver com a realidade e a cultura de cada mulher.

A antropóloga destaca que,  em geral, os meninos acham que o problema da gravidez é das meninas e por isso não se preocupam em usar preservativos. E as meninas, em geral, não andam com preservativo na bolsa porque têm medo do julgamento dos meninos.

Por outro lado, as mulheres da classe média, ao longo da história,  batalharam para ter acesso ao campo profissional, mas não negociaram as tarefas domésticas com os maridos, e  assim, outra mulher mais pobre ficou "em seu lugar".

Na verdade, é urgente um trabalho de prevenção em todos os espaços, família, escola, mídia etc. E também é preciso estimular o desejo da adolescente pobre de fazer outras coisas, sem julgá-la por sua gravidez. Mas, seguramente, sua gravidez reduz as suas possibilidades de estudar, aprender e vai para o espaço doméstico muito cedo.

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